Tendinite, tendinose ou tendinopatia: afinal, qual a diferença?
Na linguagem comum (e até durante muitos anos na prática clínica) o termo tendinite foi usado para descrever praticamente qualquer dor no tendão. No entanto, a evidência científica atual veio corrigir essa simplificação.
Tendinite significa, de forma literal, inflamação do tendão. Hoje sabemos que essa situação existe, mas é menos frequente do que se pensava. Na maioria das lesões tendinosas provocadas por sobrecarga ou uso repetitivo, o processo inflamatório é mínimo ou inexistente, o que torna o termo impreciso na maior parte dos casos.
Por esse motivo, o conceito mais correto e mais utilizado atualmente é tendinopatia: um termo abrangente que engloba todas as patologias do tendão, incluindo tendinite, tendinose, ruturas parciais ou completas.
A tendinose, em particular, refere-se a uma alteração crónica do tendão, associada à degeneração progressiva da sua estrutura, geralmente causada por excesso de carga ao longo do tempo.
O que é um tendão e porque se lesiona?
Os tendões são estruturas fibrosas, ricas em colagénio, que fazem a ligação entre o músculo e o osso. São eles que permitem que o movimento muscular se traduza em movimento articular, seja ao caminhar, correr, agarrar objetos ou levantar o braço.
Por transmitirem forças de forma constante, os tendões estão sujeitos a elevados níveis de tensão mecânica. Quando essa carga é excessiva, mal distribuída ou repetida sem recuperação adequada, surgem microlesões que, acumuladas, levam à deterioração do tendão.
Principais causas das tendinopatias
Com o avançar da idade, os tendões tornam-se naturalmente menos elásticos e mais vulneráveis. A partir dos 35 anos, a incidência de tendinopatias aumenta de forma clara — e não por acaso, numa população cada vez mais ativa.
Entre os fatores mais comuns destacam-se:
- Movimentos repetitivos no contexto laboral ou desportivo
- Excesso de carga ou aumento abrupto da intensidade do treino
- Défice de força muscular ou controlo do movimento
- Excesso de peso
- Más condições ergonómicas
- Calçado inadequado
Sintomas mais frequentes
A dor é o sintoma central da tendinopatia e tende a agravar-se quando o tendão é solicitado. Em tendões mais superficiais, pode existir sensibilidade à palpação, espessamento local e inchaço.
A apresentação clínica varia de acordo com o tendão envolvido, a gravidade da lesão e o tipo de atividade realizada no dia a dia.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico baseia-se, em primeiro lugar, numa avaliação clínica rigorosa realizada pelo médico. Sempre que necessário, podem ser solicitados exames complementares como ecografia musculoesquelética ou ressonância magnética para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão da lesão.
Tratamento: o que realmente funciona
O tratamento eficaz de uma tendinopatia não se resume ao controlo da dor. Os objetivos passam por:
- Reduzir os sintomas
- Restaurar a mobilidade e a função
- Corrigir a causa da sobrecarga
- Prevenir recidivas
Identificar e modificar os fatores que originaram o problema é essencial — seja o tipo de treino, o calçado, a ergonomia no trabalho ou a ausência de orientação técnica adequada.
A fisioterapia tem um papel central na recuperação. O exercício terapêutico, corretamente doseado e orientado, promove a regeneração do tendão, melhora a capacidade de carga e reeduca padrões de movimento que estavam a contribuir para a lesão. Durante este processo, pode ser necessário reduzir temporariamente a carga ou evitar determinadas atividades.
Em fases mais dolorosas, podem ser utilizados anti-inflamatórios por curtos períodos, bem como terapêuticas tópicas. As infiltrações com corticoides podem ter indicação pontual, mas devem ser usadas com critério e nunca como solução isolada.
Na INNPERSONA, o acompanhamento das tendinopatias é feito de forma integrada, com avaliação médica inicial e um plano de fisioterapia estruturado, orientado para resultados reais e sustentáveis.
Se sofre de tendinite, tendinose ou tendinopatia, entre em contacto com as Clínicas de Fisioterapia INNPERSONA, em Barcelos. Quanto mais cedo agir, menor será o impacto da lesão no seu dia a dia.






